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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

SATOLEP SAMBATOWN

Andava de carro em direção à casa e pensava o quão chato seria escutar o novo cd do Vitor sem meus amigos ramilongueiros por perto - o Luis, que está em outro país, e o Vini, que até onde eu sei, está em outro mundo. Já havia escutado samples de 30 segundos de todas as músicas e já sabia o que estaria naquele disco. Na verdade, há tempos já sabia que viria, muito mais que um pano novo (..) um novo À BEÇA. Um À BEÇA adultecido.

Mas independente do que viesse, senti um vácuo: em breve estaria escutando SATOLEP SAMBATOWN sem a habitual companhia destes dois caras com quem sempre tive prazer de trocar impressões sobre os trabalhos do Vitor. Um tanto porque gosto deles. Outro tanto porque sabem o que falam, têm percepções apuradas e fazem sentido até mesmo no silêncio de uma audição. Esse vácuo me perseguiu até mais tarde, na meia luz do abajur, quando a música do cd - vindo pelas mãos da Srta. Iung - começou a permear os cantos da casa.

Onze músicas depois não havia dúvida: Vitor, além de um melodista ímpar, está maduro em sua arte. O mesmo poder estético usado na construção de uma linguagem fria - que é notória como uma busca em toda a sua obra e que aparece irretocável em LONGES, seu cd anterior - aparece aqui para evoluir a sua verve brasileira esboçada no cd À BEÇA.

Mas é claro que o Brasil de Vitor é subtropical e entre sambas e cuícas misturam-se milongas e melancolias. Da angústia da "chicobuarqueana" LIVRO ABERTO à leveza milongueada de ASTRONAUTA LÍRICO o que se vê é o justo equilíbrio desse claro/escuro entre a SATOLEP e SAMBATOWN.

Com distribuição da UNIVERSAL, com a belíssima companhia de Marcos Suzano e com um roteiro bem menos hermético, SATOLEP SAMBATOWN faz de Vitor, definitivamente, um artista brasileiro.

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5 comentários:

Coimbra disse...

Em meio a esse bairrismo cada vez mais cego e insuportável, é bacana ver o relato de que uma arte feita no Rio Grande é (está) definitivamente brasileira e, pelo que parece, sustenta a essência dos pampas.

Luis disse...

Ainda não ouvi o disco, mas ele em breve deve chegar pelo correio aqui do outro lado do Atlântico. Ouvindo os samples de 30 segundos, tive a mesma impressão. Além disto o nome do disco demonstra uma tentativa de fusão de dois universos. Vamos ver no que vai dar. De todo modo havia uma suspeita de que este disco seria um A Beça ou um Tambong 2. A tarefa que Vitor se propôs com sua Estética é complexa, e suspeito que talvez ainda ele não vai atingir, mas agora é escutar para "ver". Enquanto isto vou buscar uma erva-mate num dos raros lugares que existem aqui, e que se chama, por sinal, "El sur".

Anônimo disse...

O disco está maravilhoso!!!

daniel moreira disse...

Interessante análise. Após o show de Porto Alegre (21/10) perguntei ao Vitor sobre a influência de À Beça no disco e no próprio show (ele tocou várias deste CD). Ele afirmou que À Beça é como um disco-mãe, no qual vai constantemente beber. Fica difícil explicar para quem não é daqui (Sul) o quanto a música do Vitor é diferente do que é feita no restante do Brasil. Acredito na "onda" do frio. De uma estética distante do resto do país (não somos melhores por isso, apenas diferentes). À Beça é (era)o mais brasileiro dos trabalhos de VR (e o mais pop também). Até chegar Satolep Sambatwon. O cara tá muito "redondo" em suas letras e melodias. Vale (muito) a pena ouvir.

Vinícius Silva disse...

Galera, sou do Rio de Janeiro, tenho alguns álbuns do Vitor, assisti ao show Satolep Sambatown aqui e fiz uma resenha em meu blog.

Dêem uma olhada lá!

Aquele abraço.

Vinícius Silva

www.palavrassobrequalquercoisa.blogspot.com